BIOCOM está praticamente falida

A Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom) enfrenta dificuldades de manter as operações e apresenta sérios problemas contabilísticos que afectam a continuidade das operações, quadro evidenciado no capital próprio negativo estimado em 464,537 mil milhões de kwanzas e no resultado líquido negativo fixado em 16,638 mil milhões de kwanzas.

Estas questões são recorrentemente advertidas pelo auditor, e mais uma vez foram feitas pela KPMG, que reafirma, à semelhança de 2024, a existência de uma incerteza material, que pode “colocar dúvidas significativas sobre a capacidade da entidade em se manter em continuidade.”

Este alerta acompanha-se com uma outra grave debilidade na contabilidade. Prende-se com o facto de haver indícios de imparidade sobre as imobilizações corpóreas. O auditor fala, em tom de urgência, da necessidade de a administração determinar o valor recuperável e apurar eventual amortização extraordinária.

“A gerência não realizou qualquer avaliação de modo a determinar o valor recuperável das referidas imobilizações corpóreas, conforme requerido pelos princípios contabilísticos. As políticas contabilísticas da entidade não divulgam esta matéria. Nesta base, não nos é possível determinar o impacto nas rubricas de imobilizações corpóreas, resultados do exercício e resultados transitados, e correspondentes divulgações”, explica o auditor no parecer às contas de 2025.

Mesmo diante dos resultados não favoráveis e o parecer do auditor, a administração da Biocom entende que, durante o ano passado, se confirmou a “resiliência estrutural” da empresa num contexto operacional e de mercado particularmente exigente. Aponta como ‘culpada’ do resultado a redução da disponibilidade de matéria-prima, associada a adversidades climáticas e constrangimentos na cadeia de suprimentos. A administração admite, por outro lado, a urgência de optimizar a estrutura de capital, reduzindo a exposição a riscos cambiais, avaliando fontes alternativas de financiamento e o reforço da disciplina na gestão de custos, com vista a melhorar a resiliência financeira.

A empresa dirigida por Sérgio Sousa Júnior tem como um dos desafios a aceleração da recuperação do activo biológico, com prioridade no cumprimento do plano de expansão e renovação do canavial, de forma a garantir maior estabilidade na oferta de matéria-prima e reduzir a exposição a riscos climáticos e operacionais.

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