A informalidade atingiu 90,6% no Huambo, enquanto Cabinda registou uma taxa de desemprego de 45,2%, que se agravou entre os jovens dos 15 aos 24 anos, chegando aos 86,7%, conforme verificação do Valor Económico com base em cinco relatórios provinciais do Inquérito ao Emprego em Angola (IEA), de 2024, divulgados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Na província do Huambo, por exemplo, onde a taxa de desemprego é de 17%, a agricultura representa 73,8% do emprego. Contudo, 44,5% dos empregados são trabalhadores familiares sem remuneração ou que produzem para consumo próprio, enquanto 43,9% trabalham por conta própria.
Em Malanje e na Lunda-Sul, onde a agricultura também assume um peso significativo, o cenário apresenta características semelhantes. Na primeira província, 64,7% dos trabalhadores estão ligados à agricultura, enquanto, na segunda, o sector representa 46,7% do emprego. Os trabalhadores familiares não remunerados correspondem a cerca de 35% dos ocupados em Malanje e 44,5% na Lunda-Sul, de acordo com os dados apresentados nos relatórios.
No extremo oposto, Cabinda apresenta uma taxa de desemprego de 45,2%, apesar de a actividade económica ser dominada pelos serviços, que representam 66,5% do emprego. No Cunene, onde os serviços também lideram, com 41,2%, o desemprego atinge 40,8%.
INFORMALIDADE DOMINA O MERCADO
A informalidade constitui um dos principais traços do mercado de trabalho nas cinco províncias analisadas. Conforme os documentos, a taxa variou entre 74,3%, em Cabinda, e 90,6%, no Huambo. Na Lunda-Sul, atingiu 82,9%, enquanto Malanje registou 81,7% e o Cunene, 79,8%.
A situação é particularmente expressiva entre as mulheres. No Huambo, a informalidade feminina chegou a 94,1%, seguindo-se a Lunda-Sul, com 92,7%, e Malanje, com 90,8%. Os números mostram que a participação no mercado de trabalho ocorre, em grande medida, fora das estruturas formais de emprego, limitando o acesso à protecção social, à estabilidade profissional e a rendimentos regulares.




