Vários produtores avícolas em Angola consideram que a cadeia de valor do frango no país está “viciada” na importação e acusam “interesses instalados” de dificultarem o crescimento da produção nacional, conforme noticiou semanário Valor Económico.
O jornal escreve que durante um debate realizado no âmbito da Conferência sobre o Desenvolvimento do Sector Avícola, no passado dia 5 de Março. Os avicultores desafiaram a Ecodima e acusaram importadores de “asfixiar” produção nacional de frango. O painel dedicado ao tema “Oportunidades e desafios no desenvolvimento da cadeia de valor do Frango” revelou um sector profundamente dividido quanto às causas da dependência externa que ainda marca o mercado nacional.

De um lado, produtores defendem que os custos elevados e as dificuldades de aumento da produção do frango resultam de “distorções estruturais na cadeia de valor”. Enquanto do lado da distribuição, o representante sustenta que a produção nacional ainda não consegue garantir produção em escala, continuidade e preços competitivos.
Uma das intervenções mais críticas partiu de Elizabeth dos Santos, dirigente da Fazenda Pérola do Kikuxi, que defendeu que a cadeia de valor do frango em Angola está estruturalmente dependente da importação, situação que, segundo afirma, cria limitações ao crescimento da produção nacional.
“Temos a cadeia toda viciada na importação. O custo de produção em Angola não tem a ver só com os produtores, tem a ver com uma cadeia completa: preço do financiamento, preço da construção”, explica, avançando, por outro lado, que tudo isso tem impacto no custo de produção, “nós temos de ter rentabilidade para pagar os financiamentos”, defende.
A produtora denunciou ainda que muitos projectos estruturantes da avicultura são obrigados a adquirir as principais matérias-primas — nomeadamente milho e soja — junto de importadores que dominam esse segmento do mercado.
Afirma, no entanto, que apesar destes produtos serem cotados em bolsa internacional, acabam por ser comprados pelos produtores nacionais a preços mais elevados no mercado interno. Apontando o exemplo, do milho, que é cotado na ordem dos 250 dólares, internamente é comprado entre 400 e 600 dólares o quilo, o que, na sua opinião, evidencia as distorções na formação de preços dentro da cadeia de abastecimento.
