Empresas angolanas continuam fora da auditoria aos bancos

As empresas de auditoria angolanas continuam praticamente excluídas da banca, um sector dominado pelas multinacionais EY, Deloitte e PwC que, nos últimos cinco anos, formaram o principal núcleo de auditores externos das instituições bancárias.

Em 2025, a EY e a Deloitte foram as consultoras que mais bancos auditaram no sistema financeiro nacional. Em termos individuais, a EY foi responsável pelas auditorias ao Banco Caixa Geral Angola, Banco de

Desenvolvimento de Angola, Banco BIC, Standard Bank Angola e ao Banco da China, tornando-se uma das consultoras com maior presença na banca angolana. A evolução representa uma mudança significativa, face aos anos anteriores. Entre 2023 e 2024, a EY auditava apenas o BDA, enquanto em 2021 tinha trabalhado exclusivamente com o BAI.

Dados recolhidos pelo Valor Económico, com base nos relatórios e contas de 2025, indicam que 16 dos 23 bancos licenciados no mercado mostram que a preferência das instituições financeiras continua concentrada nas auditoras internacionais, deixando praticamente sem espaço as empresas nacionais.

O levantamento mostra ainda que, entre 2021 e 2025, apenas o Banco Keve contratou uma auditora angolana, a Audiconta, para verificar as contas relativas ao exercício de 2021. A empresa acabaria substituída pela Crowe, que passou a auditar o banco entre 2022 e 2025.

Apesar de apresentar no portfólio clientes ligados à banca, petróleo, mineração, aviação e telecomunicações — incluindo a TAAG e a Unitel —, a Audiconta não voltou a conseguir contratos de auditoria externa na banca nos últimos quatro anos.

A empresa refere ainda manter parceria com o BPC para serviços de avaliação patrimonial, actualização e valorização de activos imobilizados, bem como preparação de normas e procedimentos ligados à área do imobilizado.

Outra empresa de direito angolano, a C&S Assurance and Advisory, correspondente da RSM International, tem sido escolhida sobretudo por bancos de menor dimensão.

Foi o caso do Banco Comercial do Huambo que, depois de trabalhar com a Crowe em 2021 e 2022, entregou as contas de 2023, 2024 e 2025 à C&S Assurance and Advisory.

A consultora auditou igualmente o Banco Valor entre 2021 e 2024, antes de ser substituída pela Crowe em 2025. Anteriormente, a empresa tinha auditado as contas do Banco BIC no exercício de 2021.

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