Preços já aumentaram entre os 60 e 140 dólares por tonelada nos mercados internacionais desde o início do conflito. Angola, como país importador, é arrastada e já há comerciantes a especularem os preços. Produtores avisam que alimentação vai ficar mais cara.
A guerra no Médio Oriente já vai na sua terceira semana e os efeitos estendem-se além do aumento do preço do petróleo, que já chegou a ultrapassar os 100 dólares por barril do brent. O custo dos fertilizantes (adubos) disparou com impacto directo na produção nacional, que depende destas commodities para produzir e em relação às quais o país é dependente em quase 100% das importações.
A guerra no Médio Oriente afectou o fluxo de navios no estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula grande parte do comércio mundial de energia e matérias-primas químicas. A Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agropecuária de Angola (Unaca) já fala em um aumento de mais 33,33% nos preços dos principais fertilizantes utilizados em Angola.
Já o engenheiro agrónomo e antigo membro do Conselho da República Fernando Pacheco entende que Angola, como um país importador, vai ter de lidar também com a inflação de outros mercados. Mais da metade da ureia comercializada no mundo tem origem no Golfo, segundo a Bloomberg Intelligence.
A ureia é um dos principais adubos usados pelos agricultores angolanos e já vinha com um aumento por causa da guerra na Ucrânia. “Em 48 horas após o primeiro ataque ao Irão, os preços da ureia no Norte de África subiram quase 20% e o gás natural na União Europeia teve um aumento aproximadamente de 45%, ressaltando o papel crítico desta região no fluxo global do comércio de fertilizantes”, lê-se num estudo da RaboResearch, a divisão de pesquisa do Rabobank, um banco internacional líder especializado em serviços financeiros para o sector de alimentos e agronegócio.
Os preços dos fertilizantes nitrogenados (base do NPK) saltaram de aproximadamente 516 dólares para até 683 dólares por tonelada métrica nos mercados mundiais. O preço da ureia subiu entre 60 e 140 dólares por tonelada em apenas duas semanas.
José dos Santos, presidente da Unaca, considera que a guerra no Golfo Pérsico vem agravar a escassez de fertilizantes que se regista frequentemente em Angola. O preço do saco de 50 quilos dos principais adubos subiu dos 30 mil para os 40 mil kwanzas. “A tendência, se o conflito continuar, é de um aumento ainda maior”, prevê.
