A Movicel perdeu praticamente 80% da sua carteira de clientes nos últimos quatro anos e terminou 2025 com apenas 302.579 subscritores, menos 1,192 milhões do que registava em 2021. A quebra de 79,76% reduziu a operadora a uma quota de mercado de apenas 1% e mergulhou a empresa numa situação de falência técnica, deixando a continuidade das operações dependente de uma nova injecção de capital dos accionistas.
A antiga segunda maior operadora de telefonia móvel do país atravessa a mais grave crise da sua história. A empresa enfrenta dificuldades para manter parte significativa da rede em funcionamento, paga salários de forma irregular aos poucos trabalhadores que restam e só consegue assegurar alguma operacionalidade graças à partilha de infra-estruturas com a Africell.
As expectativas de recuperação através da entrada do grupo egípcio Elsewedy no capital social desapareceram com a desistência do investidor. Sem essa solução, a sobrevivência da operadora depende agora de uma nova capitalização dos accionistas, sobretudo do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), que, segundo fonte conhecedora do processo, poderá ser chamado a injectar cerca de cinco milhões de dólares. A operação poderá, contudo, ser dispensada caso seja encontrado um novo investidor.
Os números mostram igualmente que a estratégia seguida pela actual administração não conseguiu inverter a tendência de perda de clientes. A aposta na comercialização de pacotes de internet a preços mais baixos, bem como a reabertura parcial da loja do Maculusso e de uma roulotte no Kilamba, revelou-se insuficiente para recuperar, ainda que modestamente, a carteira de subscritores.
Enquanto a Movicel encolheu, as duas concorrentes reforçaram a sua presença no mercado. A Unitel consolidou a liderança ao atingir uma carteira de 20,816 milhões de clientes, mais 6,983 milhões do que contabilizava há quatro anos. A operadora, que prepara a privatização de 15% do capital através da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), passou a controlar 73,3% de todos os cartões móveis activos no país.
A Africell manteve a trajectória de crescimento e consolidou o segundo lugar do mercado. Dados do Instituto Angolano das Comunicações (Inacom) indicam que, depois de atingir seis milhões de clientes em 2022, a operadora conquistou mais 1,281 milhões de subscritores nos três anos seguintes, o equivalente a um crescimento médio anual de cerca de 427 mil clientes.
Com a quebra da Movicel, o mercado angolano de telecomunicações tornou-se significativamente mais concentrado. A Unitel reforçou a sua posição dominante, enquanto a Africell consolidou-se como a principal alternativa, deixando a antiga segunda operadora praticamente sem expressão comercial.
Fonte: Valor Económico
